CARAMBEÍ II: Preocupação com a terra

A semente do Parque Histórico de Carambeí foi plantada em 1991 com o início da Casa de Memória. A criação da Casa foi uma necessidade que os descendentes de holandeses sentiram, nos 80 anos da imigração deste povo ao Campos Gerais, de terem um espaço para a preservação da história das primeiras famílias que chegaram à região. No dia 1º de abril deste ano, o parque foi protagonista nas comemorações do Ano da Holanda no Brasil. Na ocasião, o local, que desde 2001 já realizava atividades, teve sua inauguração completa. Hoje, com novas alas em fase de construção, a previsão é que o parque esteja pronto em 2012.

Colonização - Os primeiros imigrantes holandeses que chegaram aos Campos Gerais se estabeleceram na Fazenda Carambhey, por onde passavam as linhas férreas da empresa Brasil Railway Company, emancipada, não há muito, para se tornar a cidade de Carambeí. Foram os holandeses que impulsionaram na região a produção de laticínios, o que veio dar origem à Sociedade Cooperativa Hollandeza de Laticínios - atual Batavo Cooperativa Agroindustrial -, em 1925.

Pioneiros - Dick Carlos de Geus, presidente da Associação do Parque Histórico de Carambeí (APHC) e da Cooperativa Paranaense de Turismo (Cooptur), vem de família de pioneiros. A história de sua família nos Campos Gerais do Paraná começou com a vinda de seus pais e avós em 1913 - da mãe, um pouco antes, em 1911, coincidindo com a data do início da imigração holandesa por ali. A família de Geus, assim como toda a comunidade de Carambeí, fazia parte da Sociedade Cooperativa com a produção de queijo e manteiga. ''Como nos primeiros quarenta anos não havia refrigeração de leite, transformávamos em queijo e manteiga'', ele lembra. Geus conta que, naquela época, a sustentabilidade ainda não tinha nome, mas já era praticada pelos pais e avôs - por pura necessidade. ''A pessoa do campo tem preocupação com a terra porque vive dela'', reitera. (Folha de Londrina)